Rammstein e o voo 123 da Japan Airlines


Lançado em 27 de setembro de 2004, “Reise, Reise”, quarto álbum da banda alemã “Rammstein”, tem como base temática o acidente com o voo 123 da Japan Airlines que aconteceu na noite de 12 de agosto de 1985. 

Após doze minutos de voo, o Boing 747 da Japan Airlines sofreu uma descompressão causada por uma explosão no selo traseiro de pressurização, o problema ocorreu devido um reparo defeituoso executado a sete anos atrás.  

Sequência da descompressão e separação do estabilizador vertical (em japonês)

A explosão acabou arrancando uma grande parte do estabilizador vertical da aeronave, rompendo todos os quatro sistemas hidráulicos, causando assim a perda de todas as superfícies de controle de voo deixando o avião incontrolável. Os pilotos lutaram por mais de 31 minutos para manter a aeronave no ar, porém o avião acabou caindo na área do monte Takamagahara em Ueno, a 100 Km de Tóquio. O exato local do acidente foi o cume Osutaka, perto do Monte Osutaka.

O acidente vitimou 520 dos 524 passageiros e tripulantes a bordo, entre os mortos estava “Kyu Sakamoto”, cantor conhecido pelo hit “Ue o Muite Aruko”. 


A capa de “Reise, Reise” traz a foto de uma danificada caixa preta de avião com os dizeres:"Flugrekorder, nicht öffnen" ("Gravação de voo, não abra"). A arte faz referencia a faixa “Dalai Lama” que discorre de forma existencialista e paradoxal sobre o acidente aéreo citado. O nome foi escolhido devido o medo que “Dalai Lama” ( líder espiritual do budismo tibetano) tem de voar, representando assim de forma abstrata a servidão no Tibet.


A música, apesar de ter como base o acidente com o voo 123 da Japan Airlines, foi composta através do prisma poético de “Der Erlkönig” (Rei dos Elfos), escrita por Goethe em 1782. No poema temos um pai cavalgando com seu filho nos braços, já na canção o pai esta com seu filho dentro de um avião. 

Detalhe para o trecho da letra onde acontece o acidente aéreo:

 “A pressão cai rapidamente na cabine, Um rugido abafado guia a noite, Em pânico gritam os passageiros”

Em algumas versões do disco, temos logo no inicio uma faixa oculta com a gravação da caixa preta do Voo 123 da Japan Airlines, confira: 


Tradução rimada do poema “Der Erlkönig”

Quem cavalga tão tarde por noite e vento?
É o pai com sua criança, atento;
Ele tem seu menino seguro nos braços,
Acomodando-o firme, com quentes laços.

"Meu filho, que guarda em temor seu rosto?" –
"Não estás a ver, Pai, o Erlkönig?
"O Erlkönig com calda e coroa?" –
"Meu filho, é coisa que enevoa."

"Ó bela criança, pois vem, vem comigo!
Jogos de todo adoráveis brincarei contigo;
Coloridas flores aos montes estão na praia,
Minha mãe tem vestes douradas e és cobaia."

"Meu pai, meu pai, e tu não estás a ouvir,
Que promessas ele usa pra me iludir?" –
"Calminha, acalme-se, minha criança;
Do farfalho tem o vento sua aliança." –

"Quer tu, nobre menino, acompanhar-me?
Minhas filhas hão de graciosas esperar-te;
Minhas filhas regerão as noturnas danças,
Dançarão com magia de mil crianças." –

"Pai, pai, e não vês lá
A filha dele nas sombras e má?" –
"Meu filho, meu filho, posso vê-lo decerto:
Brilha um salgueiro por neve coberto. –"

"Amo-te, seduz-me tua bela forma;
E não queres, usarei força sem norma." –
"Meu pai, ele esta me levando embora,
Está me machucando muito agora!" –

O pai aterroriza-se, cavalga veloz,
Tem a gemedora criança nos braços, feroz,
Alcança a fazenda às pressas e em dor;
Em seus braços ela estava morta, em clamor

Texto por: Fabrício de Castilho 

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